dijous, 3 de setembre del 2015

Os eléctricos



Os Amarelos, Os eléctricos. Os sons de Lisboa. 

Son los tranvías de Lisboa. Se les oye rechinar, crugen las maderas, chirrían sobre los raíles, gimen, se quejan. Son lamentos.





“Da mesa onde está, por entre os intervalos das cortinas, vê passarem lá fora os carros eléctricos,
 ouve-os ranger nas curvas, o tilintar das campainhas soando liquidamente na atmosfera
 coada de chuva, como os sinos duma catedral submersa ou as cordas de um cravo ecoando
 infinitamente entre as paredes de um poço.”
José Saramago - O ano da morte de Ricardo Reis
 
 
 
En 1878 se instala la electricidad en Lisboa, desde 1848 se había utilizado el gas. En 1901 la empresa Carris (1872 Río de Janeiro) comienza la electrificación de los transportes. Tras la construcción de una planta generadora, comienzan a circular los eléctricos, los “amarelos”.

Las ciudades europeas jubilaron este medio de transporte, que ahora renacen con modelos ultraligeros. En cambio Lisboa los mantuvo y forman parte de la cotidianidad de los lisboetas. Bajo uno de los pilares del puente 25 de abril, en Alcántara, se encuentra la estación desde la que salen y a la que se retiran.

En los tramos estrechos están regulados por semáforos y son normales las subidas y bajadas del conductor para ver si pasa junto a una furgoneta mal aparcada o para engancharlo a la red si ha caído.



Los amarelos  son los iconos de Lisboa, como también lo son los cables eléctricos formando figuras geométricas por los barrios más característicos de la ciudad. Hay que ir por Lisboa mirando al cielo.


 Observamos el cielo, observamos "o chão" , los dibujos de las vías en las calles empedradas.



Lisboa

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas
Subidas.
Havia duas prisões. Uma delas era para os gatunos.
Eles acenavam através das grades.
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados!

"Mas aqui", dizia o revisor e ria baixinho como um afectado
"aqui sentam-se os políticos". Eu vi a fachada, a fachada, a fachada
e em cima, a uma janela, um homem,
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando
para além do mar.

A roupa pendia no azul. Os muros estavam quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos depois, peguntei a uma dama de Lisboa:
Isto é real, ou fui eu que sonhei ?

Tomas Tranströmer
(Tradução por Luís Costa)










https://www.youtube.com/watch?v=8YJYoRNiIgA

  La afluencia turítica no sólo propicia la subida de alquileres en Baixa y obliga a mudarse a barrios periféricos a los vecinos que no pueden pagarlos, sino que el tranvía 28E y el 12E  se están convirtiendo en una atracción  y pierden la funcionalidad para los lisboetas, con la consiguiente dificultad para desplazarse por las cuestas de a Moureria o Alfama. Lisboa es la ciudad de las colinas y los amarelos son la mejor formas para atravesar las calles estrechas  y empinadas, las curvas apretadas. 
El turismo adora esta imagen. Es tal vez la atracción  más buscada.

 


https://www.youtube.com/watch?v=3-nKi8dd118 


El trayecto del 28E fue inaugurado en 1914 con un recorrido de 7 kilómetros.
Actualmente hay  5 líneas de tranvia en la ciudad, pero  se reivindican más. Podemos ver las páginas en  Facebook: "Queremos mais eléctricos em Lisboa" o "Pela reactivação do eléctrico 24 em Lisboa"
       El 12E hace el recorrido Praça Figueira - Praça Figueira ( por Moureria y Alfama)
       El 15E va de Praça Figueira a Algés y de Algés a Praça Figueira
       El 18E   sale de Cais Sodré hasta el Cemitério de Ajuda y regresa.
       El 25E va de rua Alfândega  a campo de Ourique (Prazeres) y regresa
       El 28E Recoge las largas colas que se forman en Martím Moniz y llega hasta Campo Ourique (Prazares) recorriendo casi todos los lugares codiciados por el turista, que llega con ese 28E subrayado en la guía.




 https://www.youtube.com/watch?v=6WwKKSjWMvU

Eléctrico Amarelo


Sentei-me ao lado do tempo
num eléctrico amarelo
senti-me um rei em viagem
sobre rodas num castelo

Da janela os jardins
eram Legos fabulosos
Com faunos e arlequins
e arcanjos preguiçosos

Uma voz disse cordata
"O bilhete por favor"
Pareceu-me que era de prata
o alicate do revisor

Depois tudo se sumia
ao chegar ao meu destino
o passageiro crescia
e deixava de ser menino

Não vi o tempo ao meu lado
nem dei por ele descer
ia no passeio apressado
rumo áquilo que vou ser

Lá vai o eléctrico lá vai
é bonita essa aguarela
menino ao colo do pai
dizendo adeus à janela.

Carlos Tê



https://www.youtube.com/watch?v=ry3TBFydw_Q

  O Amarelo da Carris
Carlos do Carmo


O amarelo da Carris
vai da Alfama à Mouraria,
quem diria.
Vai da Baixa ao Bairro Alto,
trepa à Graça em sobressalto,
sem saber geografia.

O amarelo da Carris
já teve um avô outrora,
que era o xora???.
Teve um pai americano,
foi inglês por muito ano,
só é português agora.

Entram magalas, costureiras;
descem senhoras petulantes.
Entre a verdade, os peliscos e as peneiras,
fica tudo como dantes.

Quero um de quinze p'ra a Pampuia.
Já é mais caro este transporte.
E qualquer dia,
mudo a agulha porque a vida
está pela hora da morte.

O amarelo da Carris
tem misérias à socapa
que ele tapa.
Tinha bancos de palhinha,
hoje tem cabelos brancos,
e os bancos são de napa.
No amarelo da Carris
já não há "pode seguir"
para se ouvir.
Hoje o pó que o faz andar
é o pó (???)
com que ele se foi cobrir.

Quando um rapaz empurra um velho,
ou se machuca uma criança,
então a gente vê ao espelho o atropelo
e a ganância que nos cansa.
E quando a malta fica à espera,
é que percebe como é:
passa à pendura
um pendura que não paga
e não quer andar a pé.

Entram magalas, costureiras;
descem senhoras petulantes.
Entre a verdade,
os peliscos e as peneiras,
fica tudo como dantes.
Quero um de quinze p'ra a Pampuia.
Já é mais caro este transporte.
E qualquer dia,
mudo a agulha porque a vida
está pela hora da morte.



letra: Ary dos santos
Música: José Luís Tinoco






dilluns, 13 de juliol del 2015

A SARDINHA



A sardinha está no ponto.

.

  Las fiestas del mes de junio traen a Lisboa uno de sus cheiros más característicos. Lisboa en sus becos, ruas, largos y vielas huele a sardinha assada. Se llenan las calles de assadeiras. 

 

 

 

Estas sardinas con su punto de grasa rosada entre los lomos, cubiertas de sal gorda y normalmente acompañadas de un vaso de vinho verde y de patatas a murro son una delicia.






En los arraiais de la noche de San Antonio, se asan las sardinas y se comen en la calle sobre una rebanada de pan.





Portugal ama a sardinha, la reconoce en el momento adecuado, la mima, la come en la calle, en las tascas, en los restaurantes, en las casas y hasta ha sido capaz de convertir una lata de sardinas en un objeto de regalo o en tema de creación artesana y artística.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3261236&seccao=Sul 


Fado





diumenge, 29 de març del 2015

PRIMAVERA EM LISBOA



Março deixou a primavera

 
Na praça do Marquês de Pombal

O ESPÍRITO

Natália Correia, em “Poesia Completa”
  
Nada a fazer, amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
       
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
       
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
       
Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto. 

 
A mirada de Pessoa

Quando Vier a Primavera
Alberto Caeiro, em "Poemas Inconjuntos"

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.




 
 


 Fado Primavera, cantado por Amália Rodrigues

https://www.youtube.com/watch?v=aIY6gmu8kpw

cantado por Camané.

https://www.youtube.com/watch?v=0IqAO2XMsLk


 Letra do Fado Primavera.



Primavera
Todo o amor que nos prendera,
Como se fora de cera,


Se quebrava e desfazia.
Ai funesta Primavera,
Quem me dera, quem nos dera,
Ter morrido nesse dia.
E condenaram-me a tanto,
Viver comigo meu pranto,
Viver, viver e sem ti.
Vivendo sem no entanto,
Eu me esquecer desse encanto,
Que nesse dia perdi.
Pão duro da solidão,
É somente o que nos dão,
O que nos dão a comer.
Que importa que o coração,
Diga que sim ou que não,
Se continua a viver.
Todo o amor que nos prendera,
Se quebrara e desfizera,
Em pavor se convertia.
Ninguém fale em Primavera,
Quem me dera, quem nos dera,
Ter morrido nesse dia.
   David Mourao-Ferreira, Pedro Rodrigues